terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quadriculando o desejo, potencializando, um quarto de ensejo !!!


Não sei se vem de um sábio provérbio, não sei se desdobra de um velho ditado, são quatro pedras que se lançam intactas e bem presentes, desfrutando de sabores bem mais que consequentes, talvez oriundo de alguma suposição infeliz, pense na expressão exata, antes de sentir o que se diz. Se a verdade reinasse absoluta, teríamos sempre um império de vantagens, se os caminhos se cruzassem com frequência, aproveitaríamos muito das viagens, usufruiríamos com muito mais excelência, conseguiríamos mais passagem, ocuparíamos outros lugares, sem precisar pagar hospedagem.
Quem na vida nunca cortou corações, chorou lágrimas das mais perversas situações, encantou-se com bobagens e besteiras soltando risadas aos turbilhões, mas os olhos sabem ao certo e ao seco, o peito respira intenso impondo algum respeito, os braços expressam cores, os sons dos pés calçados, na terra firme, no corpo suado, a palpitação que acelera, o cérebro está atado, o caule na superfície da pele, a flor submersa se insere, tudo que vai surgindo, todos como que se unindo, e a chave alternando no quarto, apenas quatro, e o resto pouco estabiliza.
Felicidade, tristeza, prazer e amor, sim, isso, apenas isso, nada daquilo, nem tem porque algum outro, as emoções que nos regem, os calafrios que se estabelecem, as quatro estações, os pontos cardeais, as rodas de um carro, as folhas de um trevo, os cantos de um campo, vários ângulos, tantos anseios, ladeira abaixo, quebrando os freios, nisso estão os tropeços, quedas, vitórias, mais que régias, os quatro elementos, acima do que se precisa como sustento, todas as outras classificações apenas para ramificar, desdobrar, considerar a ausência ou o exagero destes, mas na suma, no frigir dos ovos, no real conteúdo, na bendita hora do vamos ver, é apenas isso que vivemos, nisso que nos prendemos, nessa cela, nenhum pentágono.
Basta você perceber bem sua circunstância, o perfil do sabor rotineiro que você se encaixa, a solvência de uma substância latente que te toma e você exala, seu corpo pode reter cinco sentidos, seu espírito ter o sexto, a vida sete dessas, e os números serem infinitos, mas na fusão do destino com o acaso, do sentir sendo resquício ou abusado, você pode almejar as milhares sensações, mas harmonizando projeções, nos definiremos apenas em quatro.
Lembre tudo o que já viveu, e ainda lhe resta a viver, saiba como chegou aqui, e por que ainda merece algum ser, descobrirá algumas certezas que não foram construídas, mentiras que são realidades, calúnias que cometeu por vontade, buracos que sugaram possibilidades, atravessou as idades, compartilhou afinidades, mas daquilo que sinceramente sentiu e ficou, de tão simples e ingênuo, serão apenas quatro verdades: poderá ser FELIZ quando sacudir e engolir a própria poeira, abandonando tudo que te protegia, gozando do alto PRAZER quando cometer o pior engano, não saber ao certo onde está, e ser acusado de insano, mas saiba que haverá a TRISTEZA, quando enxergar que todos os sonhos e expectativas não passaram de um plano, e a vida poderá te surpreender ou não, te matando aos poucos na dúvida, pois o AMOR, nunca saberá quem, nunca saberá onde, nunca saberá quando, talvez se guardando, talvez muito agindo, talvez não errando, se preserve, ou se entregue, um dia ele vem, um dia ela volta, e se um dia isso passa ? até no seu último gerúndio, se ainda estiver suspirando, se no fim houver uma graça.

sábado, 12 de setembro de 2009

...e se isso for vida, me traga uma dose a mais...


Não dependia das horas que findavam o dia, mas logo a noite, justamente a noite, era o momento de nos percebermos um pouco mais, nossos olhares simplesmente se procuravam superando o que nossa intenção almejasse, nós nos ouvíamos, despejávamos os depoimentos mas sórdidos ou tristes, nos compreendíamos, soltávamos as mais indiscretas risadas mesmo do que parecia podre, nos divertíamos, não tentávamos ser, comprometer, aparecer, nada, queríamos apenas aproveitar aqueles minutos sagrados, que na maior felicidade possível se incorporava em poucas horas que nos separava de nossos sonhos sobre o colchão, sonhos esses que talvez, pela única vez, não seriam mais bem sucedidos que a realidade que estávamos ali construindo a cada gesto, o nosso toque nada experimental, por vezes eu até confundia se te queria, até queria, mas sem me forçar decidir se no teu sentido ou no meu, ou se aquilo tudo já estava tão maravilhoso para ainda querer extrair qualquer sentido que fosse, duas lágrimas que se consolavam sem que uma precisasse derreter, um único abraço para que se importasse, e tudo aquilo já bastava para as mazelas que estávamos por viver, o que era agora eu não sei, mas a gente se notava, explorava, decorava, mensurava, e a emoção que conseguíamos estourar no outro, apenas por aquela hora, nos curava ...

Não dependia somente do espetáculo que apresentávamos, foi as inúmeras preparações de bastidores que nos aproximou, talvez o peso daquilo que se questionou, mas em nosso íntimo nunca se revelou talvez por inteiro tudo que se desejou, mesmo assim um carro na estrada a gente colocou, uma parada sagrada, apenas por um expresso na mesa foi o que nos separou, histórias mencionadas, píadas contadas, metas traçadas, me iludi com o apoio conquistado, me sucumbi, julgando importante o que era consumado, pra mim foi vital, pra você, temporário, as inúmeras linhas que inclusive hoje me treinaram para estar aqui por várias vezes foram suas exclusivas, e as suas ainda carrego como minhas, porque provavelmente não serão renovadas, pensei que fôssemos algo além da data comum, um mês que separava mas um número que nos faria mais que um, nem era de acreditar nessas coisas, mas a energia era coisa evidente, ameaçou inclusive estarmos sempre sorridente, demos cartas distintas, mas juntamos quando enxergamos estar somente, e agora a gente atualiza novidade, como se não existisse qualquer outra vontade, e a grande coisa que eu não consegui interpretar, o que era ?, talvez hoje nem mais é, e não terei oportunidade mais de ver o que será, se assim ainda fosse o que há ...

Primeiro um encantamento tolo, resquícios de que estava solto, característica de alguém ainda bobo, se era o que pensei, hoje nada sei, apenas não progrediu, nem se pareceu com o que se definiu, mas na saudação que revelou, alguma coisa sincera se viu, e nos tantos dias depois que vieram, mas tantas coisas que nos marcaram, entregamos de bandeja e nem sequer nos roubaram, oportunidades que no futuro diremos, “eles não estavam”, mas houve aquele lanche na praça, aquele porre que te deixou sem graça, aquela viagem com agitos quentes, meia brasa, a energia louvável que levo e trago pra casa, não sei o que na mente de cada um ficou, não sei nem direito o que o coração carregou, mas nesses momentos pra mim alguma coisa forte se prontificou, e nunca talvez estará completa, enquanto minha ignorância, existir frente aquilo que para cada um, significou, mas ainda assim os dias merecem outra aposta, em nossa varanda é da nossa conversa que a gente gosta, da magia das almas que desfilam suas idéias primogênitas, imperando outro jardim de rosas, ignoramos a paisagem, passamos por cima da imagem, fomos direto para o conteúdo, expressamos logo de cara nossa vantagem, e foi aí que percebi o sentimento que tantas vezes se estabeleceu, talvez não se completou, e o tanto que pequei quando ele não cresceu, não sei se algo restou, mas ainda posso fazer algo com o resto que é meu, e agora o passado quer dizer que impulsionou, o futuro não se deslocará de tempo pra dizer se nos juntou, e o presente me mata na dúvida, na dúvida de acreditar em tantas coisas que parecem uma só, no que tudo isso era, e não quero terminar como tudo se encerra ...


“não, não pode ser, não era assim, não era isso, não era amor, isso, não era amor, era melhor...e se no final as coisas não derem certo, não tera sido por falta de felicidade “

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Fragmentos perfilados, reunidos, deslocados, desprovidos, reencontrados !!!


Está faltando alguma coisa com maior sentido, está faltando alguém sincero pra sorrir comigo, aquele som de uma voz que não pode ser imaginada, um silêncio de valor não bruto, com pouco resultado, a planilha calculada ...
No contexto, sem pretexto, um sentido tão pouco besta, não precisa nem ser o sexto, na oitava nota eu alcanço o aquário, pesco sem anzol aquela isca escapelada, jogo o milho pras galinhas, as espigas para os porcos, a água com o céu se alinha, os pássaros que não chocam os ovos, a porteira que não tem o menino, nem menina que não tenha modos, na teta desmamada da vaca já bem magra, na moda já bem caipira, no sino ainda não tocado.
Eu queria ter na vida simplesmente, nada branco e nada verde, só não dizer “infelizmente”, algo que não provocasse dor, poderia ser até incolor, desde que no mínimo soubesse se impor, não se preocupada com louvor, e sentir Deus na forma apaziguada, como quem não se desdobrasse para mover nada, e com um simples ato de fé fizesse o tudo contrapor, qualquer vida não assimilada.
Eu que vim do norte, ele que não fizeste, eu que não dou sorte, tu que antecedeste, nós que demos mãos, e a obra foi arruinada, das vidas que não estraçalharam, coisas grandes foram tiradas, e pra quem não percebe magnitude, não entende que nem só o mar é digno de amplitude, segue sem o desespero, fala qualquer outra bobagem, pois eu que busco o que julgam atitude, penso naquilo que não se ilude, e sinto muito, caso o sofrimento for o que infelizmente se perdure.
Você que ignora presente, ou eu que não me faço ausente, a vida que cobra tanto, a morte que atropela quem não tente, nada de quem seja sorridente, não posso me ver neutro se estou contente, mas só o amor sufoca alguém que convive com a saudade, só tranforma a dor quem tem lembrança certa pra toda e qualquer idade, eu te carrego num peito, que não aprendeu a usar luvas, em mãos que não foram suas, em cabeças que não foram pensantes, veias pulsantes, coisas ultrajantes, que colocam defeitos nos ignorantes, e nós, que descobrimos aquilo que duvidaram dar certo, seguimos com o sonho separado, do momento ainda por ser descoberto.
Em escritos loucos e confusos, pincelando tudo pouco, ocorrido e esperado, pensaram sobre o maluco, definiram estar errado, o complexo, o doce, o ingênuo, nada imitado, já não provei do ser fiel, o leal não foi experimentado, estou contigo e isto foi o que resumi, de tantos que passaram por mim, foi no seu país que me encontrei naturalizado.
“o verdadeiro lugar de nascimento é aquele que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos” Marguerite
se alguma mentira ou calúnia foi por isto a arma do meu assassinato, não sei exatamente falar o que você foi, mas algo parte daquilo, que me fez ressuscitado, um olhar insano que não foi encontrado, alguém pela inteligência suprema, que pra ser feliz, tem motivo em comum, pelo qual foi criado !!!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mundo descobrir, ele sucumbir, quase por gostar, todos à vagar !!!


O mundo está ficando pequeno pra ele
e olha que ele ainda nem saiu do seu lugar
O mundo está ficando confuso sem ele
mesmo não sabendo qual atitude tomar
O mundo está virando um celeiro de estranhos
mesmo sendo querido, nas bocas por falar
O mundo está gritando seu nome por inteiro
e ele está tentando, seguir sem se apressar
O mundo escondendo oportunidades desejáveis
e ele sem saber, ainda no vício de pensar
Um mundo com tanta gente, brotando fantasias
e ele só driblando, a dor de não amar
No mundo onde a dor, assola a maioria
e ele interpretando, por que Nietzsche foi chorar ?
É neste mundo que talvez lhe suceda conquistas
se num momento certeiro, ele cansar de duvidar
Pois de certezas o mundo não lhe deu muita coisa
e seus anseios, foi o que lhe restou para assombrar
numa batalha onde conhecer o mundo não basta
se conhecer, continua sendo a melhor forma de lutar
O mundo fez com que ele parasse, e fizesse
e ele na vontade, só queria fazer parar
O mundo não estava cego, era ele mesmo que tava sozinho
e com sua criativa muleta, tentou algo caminhar
Neste mundo de tropeços, obstáculos não são só diversos
e num ritmo meio estranho, ele escolheu não só pular
Mesmo que no sábado, o mundo coma sua pizza
no arroz do dia a dia, ele não aprendeu a temperar
No frigir dos hemisférios, ele não é parte integrante
ele aparece no imaginário, quando se precisa complementar
Mentiras, devaneios, sabotagens, sem sossego
na parte da loucura, na medida, por controlar
Num pedaço deste mundo, qualquer palco gera cena
e ele retraído, com o poder por atuar
Dores, sofrimentos, um mundo de isolamento
e ele no subterfúgio, tentando sua prova expiar
Enquanto as descobertas, causa no mundo, devastação
ele quer apenas um lugar pra poder retornar
No mundo de presente, e o futuro de imensidão
ele quer lembrar quem foi, e mesmo assim gostar
Se são amores e paixões que causam no mundo, emoção
e ele quer apenas um amigo, para poder conversar
No mundo que guarda planos, pra quem sucesso concretiza
ele tem o plano B, para nos escombros passear
Pois o mundo permite poucos sonhos, só pra quem ousa gritar
e ele briga com quase tudo, transforma o que resta, para conseguir respirar
O mundo afinal pergunta, ele mesmo, quem é ?
falar quem sou, ainda não posso, sou um segredo por revelar
“... este é meu segredo, a raiz da raiz, o broto do broto, o céu acima dos céus, o verdadeiro prodígio que mantém as estrelas à distância, sem o qual a alma não pode flutuar, pelo qual, a mente nunca vai se esconder, afinal, o que quero, é o seu coração comigo, e só sou, quando carrego o seu coração no meu ...”

terça-feira, 30 de junho de 2009

Apenas a insistência em estar aprendendo, apenas gozando da liberdade de seguir, mesmo não se conhecendo !!!

Sim, eu tenho este vício, não encaro ele como tal, não sei se concordo também com quem diz que é normal, mas parece que sua implantação numa rotina que tenta se estabelecer ainda indefinida, é algo vital.

Você resolve se incluir nesta fuga, não conhece o tanto que esta energia te toma e te suga, cresce, inverte, transforma e mistura, se o processo fosse instantâneo, talvez seria instintivo, e se ainda não pareço manco, é que por horas consigo dar ouvido, a inteligência que impera, a vontade que é substituta, o sentimento que não cura, o dia que não se eleva.

Triste demais chamar de sofrimento, ridículo demais dizer que passa com o tempo, sacrifício desnecessário encarar como tormento, são só a reunião de segundos que chora, os minutos que gritam, as horas que recusam demora, só olha, não se considera, vitória, não é o que interessa, chega mais perto, faça o que é certo, dorme enquanto pode, se for o caso, só acorde, enxergue, coce, cuspa, sente-se ... olhe a data, abra a agenda, assine qualquer ata, faça uma emenda, leia seus informes, decore outros nomes, finja o absoluto, se na vida nem tudo se pode ter, do que adianta o querer, por que se traça tanta luta ?

“Garcia abriu a janela, olhou e aceitou a lua, da forma como era, não estava linda, mas estava singela, afinal ele não tinha muita escolha, com o céu nublado, ou era o espelho, ou era ela, ele esticou o braço, e acenou docemente, sorriu mesmo não estando tão contente, disfarçou um pouco, com medo que alguém ironizasse este fato que estava se desenrolando tão suavemente, ele chorou um pouco, porque a lua estava muda, ele chorou de novo, porque em poucos segundos ela também ficou escura, mas este sonho acabou, lhe puxaram pela bermuda, a sua hora de sol havia acabado, não importa agora nem o que poderia ser lamentado, em passos largos mas sem pressa, ele já estava enjaulado, e rapidamente dormiu, pra tentar ver agora se a nuvem destampou as estrelas, se de tantas ele poderia namorar alguma, se a lua aprovaria esta união, e se sua vida poderia enfim, ser mais de uma.”

Você que anda por essa calçada torta, você que cruza olhares e não se importa, você que conhece faces mas não semblantes, faz tantas coisas lucrativas, sem se precaver que também sejam brilhantes, calma, estou aqui pra respeitar a tua ignorância, pedir que tente entender um pouco da minha esperança, só sou um protegido daquele que se encontra numa sela, onde quase nada se alcança, abandonado pela pouca imaginação que às vezes falha, mas ainda se cria, superando o que você considera elegância, somos apenas viciados em tentar morar num mundo que se diz comportado, faz tudo de modo complicado, simplifica só o que deveria ser alastrado, e abandona aqueles, que nem entendem direito pelo que passam, entendem mal as frases que começam com “façam”, mas ainda tentam acreditar na categoria “abençoado”, acabar esta caminhada em algum momento, e finalmente encontrar alguém que carregue a verdade, e se ponha ao seu lado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Alcance vagaroso, pensamento tenebroso, lembrança estúpida, queda – súbita !!!

1º degrau, ainda se tratava de um ser humano, ainda se apressava algum sentimento, ainda se media o que bastou de um fomento, as minhas características já não mais me pertenciam, só você estava reluzente, pelos dias que sobreviviam, transportei o gasto, remendei o caro, superlativou-se, este é o momento ...

13º degrau, qual a dúvida que nunca sobrepos uma certeza, qual certeza que nunca se indagou um pouco confusa, que pergunta nunca se calou pra aceitar a minuta, que assinatura nunca apelou por estar no verso, a assinatura logo abaixo, ignora a linha, a sua companhia tão instável, preferiu a minha sozinha, e teimoso eu percorro, até que se definha...

25º degrau, se o mundo só morre, quando perde-se toda esperança, se a inocência ainda retorna, pra quem desistiu de ser criança, o alimento ainda brota, da semente que ainda se solta, das alegrias que ainda se joga, o ar que emito na sua intenção, seu olhar que interpõe, vem pra minha vibração, do que me importa a verdade absoluta, eu só quero agora, que você pronuncie “sua”, e me dê a mão, pois a nossa próxima parada, vai além da lua ...

37º degrau, se a palavra não finda no verbo, como saber que o que se espera, se acerta, se não for a palavra exata, é melhor não ser palavra nenhuma, da minha assadura, já chorei os dias, das minhas frieiras, já escutei ironias, e só você brinca, com esta unha encravada, conhece este cabelo tosco, de uma manhã mal levantada, mas os nossos pensamentos nos traíram, cometemos talvez algo pior que o adultério, e mesmo assim, acho que posso dizer algo, para reaver este privilégio ...

51º degrau, e aqueles dias que foram tão queridos, e eu nem me achava tão sábio, o comportamento que pra tantos foi ridículo, e é o legado que a gente deixou pra todos, algo fantástico, o sorriso que se escondia sob a almofada, aquela sobremesa doce, a cadeira de balanço, a sobra da salada, fazia tudo junto, fazia quase nada, lançava o olhar pro mundo, “olha aquela senhora”, “o que tem ela”, “que engraçada” ...

73º degrau, derepente a gente não mais se olhou, numa hora normal como essas, simplesmente não fez sentido porque tudo isso tanto significou, não era você que eu tinha no meu passado, não era eu nem o embrulho do seu presente, de um plano para o futuro, talvez fosse a prestação não paga, os juros que correm soltos, uma cilada, e começou a ficar melhor aquela cadeira no fundo, aquele estranho sortudo, que te olhava e dizia, “pode sentar, não tá guardada”

89º degrau, do que adianta então, não quero ser santificado, só quero ter alguém do lado, só quero você, e nosso abraço apertado, esse olho marítimo, de um céu nada nublado, essa sintonia absurda, de quem enxerga além do atravessado, afinal de contas, eu só te amo, porra, e só não quero ser mais ignorado, não quero saber quem de nós foi mais injustiçado, só quero agora perdoar a vida, e deixar que ela se resigne, nos libertando desses quartos diferentes, quartos tão fechados.

101º degrau, eu sempre achei que ano ímpar não dá sorte, ano par, pelo visto, menos ainda, por que sendo paixão tudo tem que ser incerto, por que sendo amor é melhor ter um livro aberto, por que entre tantos possíveis, eu fui logo cair no seu, eu fui logo ser tão complexo, por que depois de tantos passos, fui logo encontrar este papel, por que com tantas coisas ainda não ditas, você preferiu se cobrir sob o véu ....

“não seria correto querer começar esta história, apague literalmente qualquer coisa que tenha alojado enquanto memória, você quer tanta coisa da vida, que não vou fazer diferença na sua vitória, e não me faça falar mais tão difícil ou bonito, entenda de uma vez por todas, porra, eu fui embora...”

o tempo nunca foi tão certeiro, a fecha nem precisou de um arqueiro, um segundo foi até muito para devolver a razão, a descida de elevador levou minutos, que ignorou o que sente o coração, e esse dia tão ordinário, ainda me força sucumbir, tamanha emoção !!!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Estranho desse ninho, já tão bem conhecido. Estranho e querido, mas ainda não resolvido !!!


Uma simplicidade doce, contrapondo uma conclusão precoce, o engano do porvir se aventura, num contratempo tolo, que não entende o porque acontece, e simplesmente também não se esconde.
Do que adianta carregar certezas que só inventam lugares para estar, a minha verdade que abandonou a testa, agora corre perdida em becos, e não se localiza em nenhum olhar.
Eu sei que um dia mesmo assim eu era capaz, eu me recordo da época em que não havia você, e isso não me satisfaz, as lembranças nunca escolhem você para alegrar a minha memória, mas é você que escolho hoje para colocar no dia um pouco mais de glória, está certo que antes de você eu vivia, e talvez nunca houvesse existido este momento, e mudaria toda a história, mas quando olho para trás, vejo os grandes dias que mesmo assim construí, olho a realidade que hoje te trás de presente, e agradeço sinceramente, por você estar aqui.
Não sei porque ainda insisto em pintar tais cores com tonalidades de tanta confusão, não sei porque o que já está tão claro, ainda sente a necessidade de algumas gotas de escuridão, a hora que separa a noite do dia, não ignora a lua, mas também não atrasa o sol, que a todo e sempre está disposto na sua servidão, o céu que acolhe nuvens, a chuva que esfria ventos, os raios que deslocam os tempos, e no meu coração, a tempestade que afeta a mente, não se aconchega com qualquer companhia, e quando não é possível a sua, até prefiro solidão.
Quem disse que vive-se junto e morre-se sozinho, tá enganado, sozinho eu até estive da última vez que morri, sozinho eu permaneço ainda, de ontem para trás nos dias que sub-vivi, não é que ignoro a diferença sólida que você me trouxe, não sou desatento ao luxo extremo, que as horas se tornaram, quando a gente soube, eu insisto em acreditar que este significado tem autenticidade, eu pelejo para não duvidar que no contraponto também existe intensidade, mas o risco da verdade está guardada em sete chaves, uma suspeita de ilusão, será que a felicidade sustentada na dúvida, pode até não ser uma fuga, mas um resguardo da redenção ?
Talvez o que sobra é um espaço impreciso, mesmo eu não estando mais indeciso, o complexo resolveu caracterizar a naturalidade, os segundos das horas já não remam com tanta velocidade, já não está tão fácil conseguir contigo uma válida oportunidade, e o que eu sinto, não vai respeitar esta lacuna, pois é maior que a minha vontade, a minha testa e meus olhos que se danem, o sem juízo pode até ficar amargo, mas a nossa luz vai encantar outra morada, a fé atendida só se concretiza quando renovada, e num cisco de poeira do universo, mesmo que seje em outra vida, nossa plenitude coletiva, estará realizada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Caminho sem vitória, história sem enredo. Auto-trajetória


Eu me esqueci como o tempo consegue ser traiçoeiro, como que ele gosta que suas coisas fiquem pelos meios, como é irritante para ele que por um instante tomado, você se complete quase inteiro, é por aí que ele te força todo o caminho de volta, receio, e dessa sensação que eu mal tinha acostumado, que vejo despertado, novamente, o velho medo.
Sempre é triste quando destroem seu castelo de areia, me ferve esse sangue que pulsa na veia, mas foi alegrias e júbilos que vi em plena emoção, quando aquela muralha provocou comoção, como achar que essas coisas tinham relatividade, ignorando o efeito da umidade, se tá frio, é frio meu filho, arrume um agasalho para tentar se esquentar, não venha se queixar, isso não é relativo, não é por aí que exclamam ter sobrevivido, e se isso agora não te é possível em mãos, mesmo no frio meu filho, te dou a minha compaixão, te esclareço com minha total razão, tudo me parece bem claro e definido, não há quem te oferte atenção, você está fudido.
Agora resta aguardar para saber se provoquei história, rezar para aqueles que não vivem de lembranças, mesmo assim tenham boa memória, acreditar na eficiência das recordações, acalentar aquele vazio do meio da noite, com ao menos uma de nossas situações, não sei em qual momento a certeza deixou brotar a dúvida, não sei por onde essa dúvida passeou que te deixou tão besta, não sei como essas besteiras se apossaram e nos vetaram as ações, tivemos até um número pequeno de complicações, mas tento compreender que algo novo e mágico trouxe, como não esperávamos, um número alto de intersecções, porém não era isso que éramos acostumados, acreditamos por um segundo falso de felicidade que era pra isso que estávamos destinados, e como um fiat lux ao contrário, para você não valeu a pena, a escuridão brotou de fora do armário, e a gente simplesmente interrompeu a cena, ficamos tocando de roda como qualquer figurante, superando o dia estressante, trocando aquela notícia que não se pronuncia, diálogos avulsos, nada muito interessante, mas os olhos pareciam querer falar, se abriam como que gritassem, e queriam expressar, como se em lábios verdadeiros, saísse a frase musical “eu sei que vou te ...” deixar, as minhas forças não conseguem nesse rumo me fazer andar, o tempo foi nos acostumando, o silêncio, foi apenas te adaptando, e assim você me obrigou a decidir, a deixar simplesmente assim, como quem é mas não está.
Aguardem um novo rumo de quem já se acostumou com a dor, esperem um tiro certeiro, para quem o escândalo, é uma espécie de louvor, atente-se a qualquer algo trágico, pois o que era mágico, tapeou o amor, como fui burro em não perceber essa decepção, em achar que depois desse tempo traiçoeiro estávamos alcançando alguma conclusão, em que a soma proposta por você um dia tinha extirpado toda chance de divisão, mas você me fez de resto, ficou com medo da minha diferença, e me implantou subtração, sabe que talvez até fique quieto, que faça aquilo que você não julgue certo, mas não fugirá de todas as sementes que não foram em vão, que pra sua infelicidade existe aqueles que cativei, e me carregam no coração, e nesses dias vai até ser fácil te suportar, só não sei se você vai aguentar, se eu ousar uma reversão.
É nessa estampa que a gente tenta um outro ato, neste segmento, que eu prossigo até quebrar um galho, acredito nessa floresta provocado pela minha semente, me apego, nesta glória de outrora, por mais que comigo mesmo, não esteje tudo excelente, queria tanto compreender melhor este sentimento, doei tudo que melhor tinha, achando que você era quem me salvaria dos algozes do tempo, maldito momento feliz, que você me levou pro céu, e não sabíamos que tudo viraria tormento, mas se é assim que quer, vamos disfarçar, fingir que nada vai mudar, pois comigo mesmo eu já estou aprendendo, talvez eu só precise fazer assim, como diz a música: “gostar de quem gosta de mim”, e com essa rima clichê, botar algum fim.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tentativa de discernimento, confusão mediante o tempo !!!

Não quero necessariamente que as coisas voltem a ser como antes, mas confesso que gostaria que você voltasse a ser como era, quem sabe assim as situações de agora se manobrassem com mais facilidade, sem tanta iniquidade, que pudéssemos contar com alguma ajuda extra, e não depender só de nossa honestidade, o passado não precisaria estar presente, o futuro não estaria assim tão longe, o sentimento que nem sempre está à mostra, não seria algo que a vida te esconde, essa volta dada no que não era possibilidade, te fez ter que encarar, o que não era só realidade, e agora enfrenta sem necessariamente ter força, força que comprovaria sua legitimidade.

Um turbilhão de pensamentos pra se sentir que está vivo
nenhuma voz, ou coisa amiga, que te console e de abrigo
só a ilusão de bem alheio, que imaginou teria feito
no conselho dos resultados, a causa quis dar problema
quem tem boa intenção, não se ilustra com emblema
faz o que te aguarda, e não só reclama do sistema

Eu tentei me justificar, mas sempre há ondas indesejáveis, que tentam nos afogar, surfar neste oceano obscuro, onde sempre temos alguma coisa por achar, descobrir que sem estar certo o tempo todo, não significa nunca mais poder vangloriar, sempre achei que os instantes contigo me valiam esses anos, me enganei com uma estimativa própria, que não te representava tanto, temos nossas formas e não bebemos da mesma fonte, um sente o sol, o outro vê a lua, e acabemos descobrindo o horizonte, parte do que a gente quer, um pedaço que nunca se aceita, aquele insistência em querer dar no pé, uma mão teimosa, que acaricia, e sonha em estar satisfeita.

O passado podia ser mais distante, o presente podia ser menos ousado, o futuro se existisse eu diria, o fato que me amedronta, não tá assim tão consumado, seu olhar ainda vai me deixando confuso, o seu gesto, não deixa claro como se comporta, na nossa ação, já não se entende o que ultrapassa de momento, não sei se devo insistir em ter este conhecimento, acho que vou me prender na cor, tentar ignorar o sabor, e não temer tanto o abandono.

Vou seguindo não por não ter outro jeito, vou insistindo, porque talvez este seja meu pior defeito, vou gargalhar, para esquecer um pouco as garras que te faltaram, vou mencionar, porque mesmo decepcionado, me deixa instigado, vou lamentar, porque se fosse pra ser mais cedo, não seria fácil, e disputar, com um lado que parte de dentro e não quer deixar empatado, e me guiar, porque aqui ainda existe uma verdade, porque não vou me contentar com esta metade, porque as somas do antes, ainda vão resultar adeptos de vontade, e neste axioma, acho que você não vai ficar quieto de saudade, pois nestes passos que sabem o que pisam, eu sempre vou ter onde, qualquer cidade, e ainda precisarei da outra vida para te interpretar, sua lua e meu sol, na eternidade, ainda dividirão outro horizonte, a mesma amizade !!!

domingo, 5 de abril de 2009

Buscando a consciência, montando alguma essência !!!


Se você não quer que todos vejam a verdade em sua testa, comece a deixar seus olhos mais interessantes ...
As minhas mãos começam a correr caminhos que antes temiam, os meus passos começam a percorrer sonhos que antes não existiam, meus pensamentos divagam sobre a autópsia daquele que queria ressuscitar, e meus sentimentos ficaram aqui estancados, me ferindo dia a dia, por ainda não achar ao certo, quem me prometeu amar.
As vozes que ecoavam longe agora me sussurram nos ouvidos, os cheiros que já foram odores, agora me invadem até os poros, a sensação de uma noite doce, agora salga um amanhecer doloroso, a incerteza que se carrega sobre os outros, não vai te ajudar a conhecer você.
Numa jornada ambígua você também tem opostos, num corredor bem curto, também é possível se esconder, dizem que não houve aquele que agradou todos os gostos, mas te prometeram que haveria alguém, para completar o seu ser.
Chega de promessas que nunca foram ouvidas, chega de conversas com estrelas que só brilham no escuro, o que você precisa nem está assim tão apagado, gratidão para aqueles que lhe deram comida, compaixão com aqueles que não largaram seu osso, e atenção, com os chamados que te chegaram, mesmo estando cansado, não procure saber se é uma outra oportunidade, se ligue mas não se fissure, no lance de afinidade, não será desta vez que te tratarão com majestade, daquele seu passado de glórias, só ficaram histórias, que hoje te passam vontades.
Nesse atalho longe, ainda acho migalhas, no andar de volta, ainda verei rastros, não entendo este labirinto aberto, com algumas doses de calma, ainda resisto e vejo se acerto, algumas loucuras para extravasar, um bom cochilo no meio do dia, para descansar, os problemas as vezes chegam e já te pulam, pense no desânimo, mas nunca hesite em solucionar, agora suas mãos querem caminhos próprios, agora seus ouvidos, querem ruídos sólidos, “agora” é o tempo certeiro, que te suga por inteiro, que te quer inveja, que te quer cuidado, que não te quer só sábio, e que não está conseguindo te proteger.
Se jogue no ritmo da dança, não deixe ela te convencer, confesse os erros de outrora, não faça escândalos, faça por onde merecer, enxugue essas lágrimas gritantes, estanque o sangue pulsante, é preciso alguém perceber, as suas falas aumentaram, seus gestos enobreceram, suas lembranças não se perderam, agora há muito mais que um grupo, você fala mais de um dialeto, ainda não está completo, nem por isso o reconheceram.
Talvez afrouxar um pouco, talvez dedilhar mais firme, talvez arruinar o sono, quem sabe despertar maneiras, evitar asneiras, cozinhar enquanto como, já não sei direito o que está por vir, mas consigo decidir, o que quero ler, assistir à você, e tentar me estabelecer, só não me atrevas testar, saiba entender, o que eu fui representar, o que fiz por fazer, não foi falsificar, eu conheci alguém que existia aqui, quando apertou minha mão, observou meus passos, invadiu meus dias, intensificou todos os momentos, e me obrigou a perceber, que em seus olhos, os meus refletidos, ficam muito mais emocionantes ...